A construção civil brasileira tem ampliado investimentos em digitalização e tecnologia, fortalecendo um movimento que já impacta produtividade, gestão e competitividade.
O avanço de tecnologias como inteligência artificial (IA), BIM, automação e soluções em nuvem mostra que o setor está construindo um novo modelo operacional, mais integrado, eficiente e orientado por dados.
Ainda assim, o ritmo de adoção é desigual. Enquanto grandes grupos já consolidam práticas digitais em diferentes etapas de projeto e execução, pequenas e médias empresas enfrentam barreiras estruturais, financeiras e culturais. Entender esse contraste é essencial para mapear os desafios e acelerar a transformação digital de forma sustentável.
Transformação digital na construção civil hoje
Segundo o relatório Perspectivas para Engenharia e Construção 2025, da Deloitte, a construção civil brasileira cresceu em 2024. Foram 10% no valor adicionado e 12% na produção bruta. Mesmo diante da inflação e das altas taxas de juros, os investimentos se mantiveram, impulsionados por iniciativas privadas e políticas públicas.
A expectativa é que a redução gradual dos juros amplie a demanda por construção, estimulando novos projetos. Nesse contexto, tecnologias digitais ganham protagonismo, com aplicações em logística de canteiros, expansão de centros de dados e gestão integrada de obras.
Ferramentas como sensores IoT, drones e softwares de gerenciamento de projetos já são adotadas para melhorar o controle de prazos e custos.
O interesse em BIM (Building Information Modeling) também se destaca: de acordo com pesquisa da Feicon, 66% das companhias planejam intensificar investimentos nesse tipo de tecnologia nos próximos anos.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Um estudo da Holmes aponta como principais barreiras a ausência de planejamento , a dificuldade em escalar soluções digitais e a falta de métricas consistentes para mensurar retorno.
No campo regulatório, a nova Estratégia BIM Brasil reforça o papel do Estado como indutor da digitalização. Com foco em regulamentação, interoperabilidade e formação técnica, a iniciativa busca consolidar padrões mínimos para ampliar a adoção de BIM em obras públicas e privadas.
A articulação entre diretrizes governamentais e investimentos privados define os contornos da transformação digital no setor, que passa a ser discutida tanto como estratégia de negócio quanto como política de desenvolvimento.
Inteligência artificial na construção civil
O uso de IA na construção civil já abrange análise preditiva, visão computacional, automação de canteiros e apoio em processos de atendimento. Relatórios internacionais projetam forte crescimento para o mercado global nos próximos anos, com aplicações associadas à busca por eficiência em planejamento e execução de obras.
Um estudo da Market Research Future estimou o setor em US$3,93 bilhões em 2024, com expectativa de atingir US$22,68 bilhões até 2032. Já a Grand View Research avaliou o mercado em US$ 2,93 bilhões em 2023, com previsão próxima de US$17 bilhões em 2030.
No Brasil, a realidade é menos avançada. Um levantamento da Accenture em 2023 indicou que a tecnologia pode aumentar os lucros em até 71% até 2035. Para alcançar esses ganhos, as empresas precisam organizar dados, prever cenários com maior segurança e estruturar processos que reduzam desperdícios.
A IA já é aplicada em diversas frentes da construção civil:
- Orçamento: análises e previsão de novos custos e comparação de propostas para identificar variações de preços;
- Obra: atualização automática de cronogramas com base no andamento real, identificação de gargalos de execução,geração de atas automáticas de reuniões;
- Comercial e suporte: classificação e priorização de leads, atendimento automatizado no WhatsApp com dados da obra, organização de documentos e FAQs internos.
Os resultados, porém, dependem de bases de dados integradas, sistemas interoperáveis e indicadores consistentes. Modelos mal alimentados tendem a replicar falhas, prejudicando a confiabilidade das análises.
O Ecossistema Sienge mostra como a IA funciona melhor integrada a BIM, nuvem e sistemas de gestão. Exemplos são soluções como Gestor Obras, que automatiza orçamentos e relatórios de desempenho de obras, ou o Construpoint, que organiza reuniões e reduz ruídos de comunicação no canteiro.
Infraestrutura limitada é principal desafio para digitalização do setor da construção civil
A digitalização da construção civil no Brasil avança de forma desigual. Grandes empresas já adotam tecnologias como BIM, IoT e inteligência artificial, enquanto pequenas e médias enfrentam barreiras estruturais, financeiras e culturais. Essa disparidade explica por que, apesar de ser uma tendência consolidada globalmente, a transformação digital ainda encontra obstáculos práticos no mercado nacional.
Infraestrutura tecnológica concentrada em grandes centros
A digitalização da construção civil ainda depende de uma infraestrutura que não chega a todos os cantos do país. Enquanto grandes centros avançam em conectividade e uso de sistemas integrados, construtoras de médio porte em cidades menores enfrentam barreiras técnicas e de acesso.
O resultado é um avanço desigual, que reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura digital para garantir uma transformação mais equilibrada em todo o setor.
Custos de implantação e barreiras financeiras
A digitalização exige investimentos iniciais significativos em softwares, infraestrutura tecnológica e capacitação. Segundo pesquisa da Feicon, o custo de adoção tecnológica é citado por empresas como um dos maiores obstáculos.
Muitas construtoras de pequeno e médio porte acabam adiando a digitalização por não conseguirem equilibrar o investimento inicial com margens de operação mais apertadas.
Barreiras culturais e resistência de empresas tradicionais
Resistência à mudança e apego a métodos tradicionais continuam limitando a adoção de novas tecnologias.
O BIM Fórum Brasil destaca que empresas com menor maturidade digital mantêm processos baseados em práticas manuais mesmo diante da evidência de ganhos em produtividade e controle com soluções digitais.
Falta de maturidade digital e métricas de acompanhamento
Outro ponto crítico é a ausência de indicadores consistentes que comprovem o valor da digitalização.
Conforme uma pesquisa do BIM Fórum Brasil em parceria com a ABDI, muitas empresas adotam tecnologias de forma isolada, sem integração entre sistemas e sem métricas para mensurar o impacto em produtividade e retorno financeiro.
Caminhos para acelerar a transformação digital na construção civil
A digitalização do setor da construção civil só avançará de forma consistente se superar as barreiras já identificadas. A infraestrutura ainda restrita, os altos custos de implantação e a resistência cultural continuam travando a mudança.
Alguns caminhos prioritários incluem:
- Investir em conectividade fora dos grandes centros: a concentração de infraestrutura tecnológica limita a digitalização em regiões menores;
- Estruturar planos com prioridades definidas: a digitalização dispersa não gera impacto. Definir áreas estratégicas e metas mensuráveis orienta investimentos e reduz desperdícios;
- Capacitar equipes e promover mudança cultural: aplicar tecnologia e não ter adesão de profissionais gera pouco efeito. Treinamento contínuo e revisão de práticas de gestão aumentam aderência;
- Adotar soluções integradas e interoperáveis: o uso de ferramentas isoladas cria gargalos. A integração de BIM, nuvem e sistemas de gestão permite fluxos digitais consistentes, além de garantir eficiência operacional e o uso estruturado dos dados;
- Medir impacto com indicadores específicos: KPIs como redução de retrabalho, variação de prazos e custos diretos comprovam retorno e sustentam expansão da digitalização.
- Adequar a gestão às novas exigências legais: a reforma tributária vai demandar processos mais transparentes e dados organizados. As empresas com gestão madura terão mais facilidade em se adaptar às mudanças e reduzir riscos.
A digitalização do setor avança com a consolidação de ecossistemas integrados, capazes de unir BIM, automação, nuvem e inteligência artificial em um mesmo fluxo de gestão. Esse modelo ganha força com o Ecossistema Sienge, da Starian Indústria da Construção.
O Ecossistema Sienge possui soluções de tecnologia e negócios que permitem uma integração do pré-obra ao pós-venda, com dados estruturados, automação e governança digital. É uma gestão de ponta a ponta, orientada à eficiência operacional e à tomada de decisão com base em dados confiáveis.
A digitalização da construção civil no Brasil está em curso, mas depende de condições práticas para alcançar escala. Superar custos de implantação, ampliar infraestrutura e adotar métricas de acompanhamento são passos decisivos.
As empresas que conseguirem integrar tecnologia, estratégia e cultura terão maior capacidade de transformar a inovação em ganhos reais de competitividade.
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